sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A Bunda é Que Manda

Uma vez eu fui a zona rural de Canindé e vi uma moça de quinze anos estudando com afinco. Passaram-se quatro dias e ela estudando, estudava entre cinco a seis horas por dia. Fiquei impressionado e pensei: aí está, algo difícil de se ver. Então o pai dela chegou e perguntou: minha filha, pra que você estuda tanto? Ela respondeu: quero ser psicóloga. Seu pai: para que? Ela: para ajudar os outros. Ele: para que? Ela: para ganhar dinheiro e comprar as coisas que quero. Seu pai disse: então pronto minha filha, você não precisa seguir esse processo todo. Vá para Canindé, entre numa academia de ginástica até ficar com as cochonas. Logo, logo você vai ter tudo que quer. Na mesma proporção que Canindé ficou cheio de igrejas evangélicas, também ficou cheia de academias (ou: fábricas de bundas. ou: auxiliares para uma vida melhor). Enquanto algumas garotas vão orar, cantar, pedir ajuda a Deus para obter saúde, um bom marido, emprego, etc. Outras vão para as academias malhar com os mesmos objetivos, porém sem Deus. Usam aquelas calças bem acochadas só para enlouquecer os homens. Trata-se já de fazer propaganda do corpo físico. Não quero dizer que as garotas que frequentam igreja evangélica sejam santas, conheço umas que parecem ter o cão nos couros, só se fazem de quietinhas. Pronto: depois de um certo tempo malhando, já estando com a bunda arrebitada e as pernas torneadas é hora de colher resultados. Ir para uma festa de forró é ideal. Andando para lá e para cá, como se não estivesse atrás de nada, mas reparando quem olha p ela. E eis que aparece um jovem rapaz, ele só tem 55 anos! Ao lado dele uma Hilux do ano. Conversa vai, conversa vem. E pinga!!! Mais uma que consegue um coroa pra lhe bancar. Não para por aí não. Tem umas que conseguem até gringo para financiá-las. Vivemos numa sociedade contembundana. O ruim é que só quem tem dinheiro que aproveita bastante. Até as bundas são capitalistas. Não são todas que são assim, há alguns caras pobres que conseguem se alegrar depois de muito implorar. Começam a malhar desde cedo, aos 12 ou 13 anos. Dizem que é por razões de saúde. Que nada! É questão de sobrevivência. Quem não tem bunda é excluída. E quem tem: é endeusada! Frases como: ah se eu tivesse sorte, ou: ah se eu pudesse e o dinheiro desse! Ou: isso é uma bunda ou uma traseira de uma escanha? São frequentes. Quem sofre muito é adolescente. Cada vez que vê uma bunda, corre para o banheiro. Eita porra! Eu mesmo já sofri muito. Sonho uma época em que as mulheres serão tratadas com respeito e não apenas como objeto sexual. Que as pessoas não darão tanta importância a aparência física. Darão importância ao que é bom, verdadeiro e útil. Hey! A bunda é tudo isso! Então, não precisa mudar nada. Está bom do jeito que está.
Teoria: não seria a bunda uma forma de alienar o povo? Um instrumento de dominação por parte das classes dominantes? O sujeito desempregado, sem esperança de uma vida melhor senta-se em frente a uma tv e vê uma bunda grande e simpática e esquece todas as aflições. Assim fica quieto na dele e não cria problemas. Você pode reparar que em quase ou em todos programas de tv dão um jeito de exibir esse "instrumento de manipulação de massa". No programa pânico há. Havia no programa do Gugu uma brincadeira chamada "banheira do gugu". Um verdadeiro festival de bundas. Em bandas de forró nem se fala. As mulheres ficam quase nuas. As músicas tratam as mulheres como "raparigas", "quengas", "putas". Um verdadeiro desrespeito para com as mulhers. O que me impressiona é que muitas escutam essas músicas e até gostam. Esse tipo de forró predomina no Ceará. É tocado bastante pelas rádios. Os adolescentes e adultos quando vêem uma mulher não a vêem como um ser humano, como alguém que pensa, que sente, que fala, etc. Vêem apenas como uma portadora de bunda e vagina onde se é possível enfiar o pênis até ejacular para se sentir melhor. E esse tipo de pensamento está sendo implantado nas crianças também. Não digo que são todos os homens que pensam assim, mas esse tipo de pensamento é que predomina no Ceará, e talvez no Brasil.

Irracionalidade: o estuprador é o resultado de tanta exibição de bundas, de mulheres nuas, semi-nuas, de tanta propagação sobre sexo, de peitos grandes, etc. É aquele que não consegue se controlar. Quer se satisfazer de qualquer forma. Não pensa nas conseqências, apenas no seu desejo sexual que foi alimentado pela mídia que precisa ser saciado de qualquer maneira. Eu penso que o número de estupros diminuíria muito ou talvez acabaria se não houvesse tanta propagação, divulgação, exibição do corpo da mulher.

Desemprego: se isso acontecesse muitas mulheres ficariam desempregadas, como as dançarinas de funk, axé, samba, pagode. As participantes de Big Brothers não saíram mais peladas, pois a maioria só serve pra isso mesmo.

Depressão: então elas ficariam com depressão, pois não seriam mais chamadas a participar de programas de tv dando dicas de como emagrecer ou ir a algum programa dançar de short apertado. Teriam que estudar ( não!!!!! Isso não!!!!) para arrumar emprego. Passariam a ser tratadas como seres pensantes.

Como seria a vida pós-bunda?

5 comentários:

Ismael Angelus disse...

E essa foi mais uma postagem da maravilhosa série "O Corpo Humano", HUAUHAHUAUHAUHAUHUH!!!
:D

Suzzy disse...

Caracas, que tese interessante!
haeuaheuiohaeaui

Débora disse...

eu estava passeando pela net, fuçando perfis e blogs e encontro este...
adorei o termo "pós-bunda" uaehueaheuheuhae

Jonas disse...

Obrigado pelos comentários!

Analista disse...

Aguardaremos na sequência deste alguma postagem sobre celulite...o terror das bundas...